Setembro, 1987

Porra, dia de merda, semana de merda, mês de merda!  Vamos setembro acabe logo para que eu ache outubro um mês de merda! Nada é mais agoniante que um mês de merda. Você não tem dinheiro para nada. Não tem um final de semana descente e a vodca já acabou faz horas. Filha da puta do vizinho martelando alguma merda às oito da manhã de uma sábado. Isso não existe. Mas, enfim, é o ultimo dia dessa porra de mês, amanhã começa tudo de novo e eu já vejo as garotas seminuas me acenando como se meu pau tivesse trinta centímetros. Putas pagas. Putas bem pagas. Essas malditas, essas danadas, sempre elas. Faz meu mês acabar antes das dez da noite.

Esses clubes de strip salvam o dia do cara. É só pensar em um peito bom, esfregando na sua cara e você já se sente bem. Cara como adoro peitos. Podem até ser meio caído, como daquela cadela gravida, são ótimos. Porra, mês de merda acabe logo. E esse trabalho que nunca me rende um bom trocado. Saio daqui e penduro um gole no bar próximo de casa. Porra quase três da tarde e o velho f ilho da puta ainda se masturbando, falando de uma tal de ponte que caiu. Pra Puta que pariu com a ponte, com o carro, com a mulher e com a merda de vida que ele leva. São quase três da tarde e eu ainda estou pensando nos peito. Vamos, calma agora, já já acaba esse mês e logo esta ai as festas de fim de ano estão ai. Porra não sei o que me deprime mais, o fim de setembro, o fim do meu salario ou a porra do fim de ano.

Aquelas madames com meio peito pra fora, apenas para de ter o trabalho de pensar nas tetas todas aparecendo. Com seus batons novos e suas bolças que compraram para o fim do ano. Tenho total certeza que virão com as mesmas perguntas, se eu não vou casar e se eu não quero ter uma família. Caralho será que não percebem que não quero essa merda. Toda vez que me perguntam isso, da pra ver a boceta escorrendo de tesão, de querer estar solteiras e me dar no banheiro. Eu sei que estou bem melhor que o marido delas e não tenho aquela pança desagradável. Bem sou alcoólatra, mas não bato nas mulheres, não sem elas pedirem. Já imagino a cena, a cunhadinha do cara que trabalha na mesa da frente com aquela saia amarela, sorrindo o almoço inteiro, vai perguntar quem sou e vai querer fazer uma social qualquer. No fim vai ser troca de telefones, sexo e tchau. Perguntem-me, “Você não vai casar?” eu responderei sempre “não baby eu só quero que esse maldito ano acabe”. E por falar nisso, Setembro você já terminou? 

- Anthony Portes.

“Ela me entende agora, esteve na UTI, perto da morte.
Como é o gosto dela perto do fim?
Seu simples tocar pode mudar o mundo de muitas pessoas, pode fazer o bem e trazer a desgraça matinal.
Esteve perto do fim e mesmo assim não sabe diferenciar os sentimentos dos outros.
Nem sempre podemos entregar tudo que temos, às vezes não sobre anda para ser entregue.
E por fim, pode ser que já entregamos tudo e não há mais nada para ser entregue e as pessoas querem mais, mais do nada.
Mas tudo bem, tudo bem é só o vento frio da nova manhã e amanhã é outubro.”
Anthony Portes

G.

Bendito beijo que não esqueço

Teus dedos e esmaltes e mordidas

Pernas e corpo sedento pela sua juventude

Meu copo sem vazio de cerveja

Coração quebrado por dores de outros amores

Minha camisa xadrez abotoada e teu cachecol no calor

A saia branca que me prende o olhar e as coxas nuas que me fazem querer de novo

Bonita demais para ser minha, verdade demais para ser intolerável.

A garota se tenho teu desejo, estrago minha vida para te ver sorrindo.

Pinto no teu ventre nova vida

Faço do teu coração minha morada.

Sou infinitamente apaixonado por ti. E tenho as olheiras de outra vida.

Tenho a alma fraca e o coração estupido.

Tu tens o orgulho e esse batom vermelho! 

-Anthony Juszczak

Teu gosto de Heineken #5

Queria que o sorriso da sua alma fosse meu

Que nestes dias cinza tua companhia fosse minha

Das virtudes que possuí, me mostrasse novos rumos.

E que as estradas estivessem todas trilhadas para uma longa caminhada.

-

A distancia do olhar é o preço do sorriso

O gosto quase perdido lembrado na maluquice que é teu gargalhar

Sombras do destino impresso nas folhas dos antigos jornais

É à tarde que custa passar é o passear dos teus passos no paraíso.

-

O inimigo do homem tolo é o próprio medo

Percorro tua vasta alma esperando encontrar uma brecha para me esconder

Busco perfeita morada para meu acolhimento.

-

Os ventos e as chuvas da magnifica primavera ainda não mudaram meu sorriso

Perto de compreender sua fuga, desmistificando o que eu sinto

Bebo do teu olhar, esperanças para um novo amanhecer.  

-Anthony Juszczak

“O céu desaba mais uma vez.
Tons de cinza mancham o entardecer.
Vento novo sopra no rosto.
As poucas gotas que caem, acertam minha face, suavemente.
Deslizo da sexta para o sábado como relâmpago.
Sou aurora, sou o complexo amanhecer de mais um rubro dia.
E tua voz que acaba com o silencio, deslocando minha alma para um abismo.
Meu breve suspiro entre uma pira e um mausoléu.
Feche os olhos, tranque o coração.
Esta febre não é sua.”
Anthony Juszczak