“Quanta tristeza nestes amores”

Adeus.

Como vai a vida sem meus beijos?
Como vai o céu sem meus abraços?
Quem disse que eramos para sempre?
E quando voltaremos a sorrir?
Meu bem, meu amor, o tempo passou e você nem me notou. Que aquele sorriso era teu, aquele olhar perdido era teu, aquelas mãos trêmulas eram tuas.
Agora o que me resta é a sala triste e vazia. É a vida esvaziada dentro das madrugadas. É a foto que já rasguei.
Este velho e cansado sentimento sera novamente guardado, jogado de canto.
Venha noite escura. Me deixa sonolento e deixa eu partir para uma melhor.
Te amo desde o tempo que lhe vi, sorrindo pelos cantos sem ao menos me conhecer.
Te amo.
E já não amo mais.

Uma estranha viajem,

- fazia muito tempo que não escrevia algo grande. então segue uma “cronica”.

Durante toda a semana  a cabeça só pensava em uma coisa, sábado. Poderia estar tudo tranquilo que aquelas palavras vinham em sua mente: decisão, reconforto, a dor? De novo?
Enfim o dia amanheceu, confortavelmente, ensolarado e prometedor, aquele sol reconfortaria todo seu espirito inquieto das noites anteriores. 
Arruma a mala, prepara as músicas, carrega o celular, pega os óculos, pega a agua, documentos dinheiro. Fecha o tempo, decide ir de ônibus. 
Esperando o ônibus encontra uma moça, que lembra muito uma ex-namorada; Juliana. 
Recorda-se que ela era linda, baixa, morena, dessas que você come com os olhos na rua, nas antigas gírias um minhonzinho. Consegue ate recordar do seu cheiro, acha incrível a mente, mal se recorda do que comeu no jantar, mas o cheiro da pequena parece estar impregnando nos seus dedos. 
Ela vai viajar no mesmo ônibus, vai ate a estação da lapa. É uma curta viajem mas o tempo é longo. Começa uma grande tempestade. Todos fecham os vidros, o ônibus agora não mais tem o cheiro da pequena e sim um cheiro de merda, desodorante, perfume barato e limpa vaso. 
Este cheiro combina bem com a cidade que ira visitar, com suas pessoas que fedem a merda, com seus egos que precisariam descansar anos em um limpa vasos para voltar a cheirar bem. 
Fecha os olhos e tenta respirar, tenta ao menos intender o que tem se passado esses dias, malditos dias, jurando prestar atenção em todas as palavras , em todos nos sinais de amor ou traição. 
O ônibus sacode pra cá e pra lá, no fone um bom rock and roll pra compensar. As pessoas parecem ter a mesma cara, o mesmo desespero contínuo. Parecem apenas se importar com seus cus. Com seus pequenos mundos, ele não esta longe disto, mas, ainda se importa com a pequena linda copia da sua ex. Erro de criação, fazer duas pessoas sistematicamente iguais? Ou o senhor deus esta sem criatividade? Ri sozinho e seu companheiro de banco parece incomodado. Pouco se importa, e só mais uma viajem e logo terminará. 
O motorista parece não se importar com a carga que carrega pisa fundo. Faz as pessoas se baterem nos bancos entre elas e com a cabeça no vidro. Uma mãe com seu bebe grita “filho da puta” algumas pessoas comentam a falta de educação: de ambos. A estrada segue neste ritmo ate um ponto qualquer onde alguém puxa a cordinha e desce. Nosso pequeno anti-herói ainda repara na copia, não diz nada. Repara que ela não tem as unhas pintadas, tão pouco ajeita o cabelo. Parece apressada, como quem perdeu a oportunidade de sua vida. Linda apressada e perdida. E isto que ele sente, seu sorriso murcho denuncia. É apenas mais uma alma fedorenta andando vagarosamente pela vida. Olhando ela, ele se depara com sua própria alma. Será que ele não esta fazendo a mesma coisa? Apenas vagando? Indo ao encontro do nada? Agora ela dorme silenciosamente. Dorme como dormiriam os anjos no pós-apocalipse, cansados, inúteis.
Sua nova pequena lhe manda algumas mensagens, logo esquecidas pela ânsia de resolver seus problemas. Ou ama ou morre, este dilema pela semana o sufocou. O deixou louco. Se sentindo completamente cheio de nada. Esperança de algo melhor já não esta nos seus planos. Esta já ficou para traz faz anos. Talvez tenha morrido junto com seu pai ou talvez tenha deixado para sua irmã mais nova. 
Então no seu breve cochilo, alguém fala com ele. Algum Ser místico de outras épocas, esses seres que só aparecem quando estamos mortos, desesperados ou drogados. Ele reza um novo mantra, sorri traiçoeiramente e lhe pede um abraço, diz que é o rei das decisões mórbidas. Diz que ele quem controla o que já está perdido. 

Este ser tem a cabeça de boi, corpo de um homem forte, usa pulseiras, brincos e colares. Seus dentes são e pratas e os seus olhos parecem esmeraldas polidas.
- Bom dia meu jovem.
- Bom dia.
- Procura uma solução que já não existe.
- Como assim?
- Você procura razões para que o amor aconteça isso já não existe. Alguns foram feitos para amar, outros para serem amados e outros como você, para ser fodido nesta vida. 
- Um capeta falando de amor?
- Não sou um ser maligno, sou a voz da verdade, sou aquele que não aparece nos livros, sou a utópica verdade, a qual todos têm medo. Ou uma causa perdida. Sou apenas reflexo das decisões. 
-…
- Veja jovem, você é reflexo das decisões dos outros. Você sempre tentando acertar os ponteiros, mas, insistentemente esquece-se de trocar as pilhas. 
- Não estou entendendo.
- Bem, às vezes é tarde demais, agora acorde, o motorista dormiu.
Ele acorda com o ônibus chacoalhando, pessoas pavorosas gritando. E o ônibus de um lado para o outro tentando corrigir a trajetória, a causa perdida e nada. O passageiro do meu lado aperta meu baço, não ha mais volta, e chora desesperadamente. Nosso pacífico personagem ouve a música calmamente, tudo está em câmera lenta, ele está sem sinto, efeito. A moça, a cópia, esta tristemente em prantos, em alguns milésimos de segundo a criança que esta ao seu lado será ejetada para fora do ônibus e ela entrará em desespero. 
Os pneus arrastados pelo asfalto, pela freada brusca, deslizando, pelo asfalto moldado, se chocam com as tartarugas de sinalização. Um deles sofre descolamento e faz o ônibus capotar lateralmente, nesta hora a criança atravessa o vidro, as pessoas caem um sobre as outras, a cópia esta de cinto. E o ônibus desliza suavemente, entre cacos, pedaços de pessoas e sangue, ate o barranco, onde capota mais uma vez fazendo nosso estimado personagem acertar a cabeça no teto. Nesta hora fica tudo vermelho, verde, marrom e por fim escuro. O ônibus capota mais uma vez e fica de lado na grama. A chuva cai norma nas pessoas feridas, pequenas gotas vermelhas transparente caem sobre os corpos, sobre os rostos, sobre as malas e agora trapos. 
O silêncio após o acidente é rompido por gritos, choro e desespero. Nesta hora, acordando do seu desmaio, ele consegue perceber a dimensão do estrago. Dentro do bagageiro ele sente seu corpo de dolorido, como se sua pela estivesse sido descolada do corpo.  A chuva não o molha, ele olha para os lados procurando uma saída. Respira fundo e sente todo sangue na sua boca. Vomita a bile. Respira, vê que tem alguns cortes superficiais. Procura algo para se levantar. Agarra a tampa da saída de emergência, Fica arcado e o cheiro de carne queimada causa náuseas. Ele olha sua furtiva paixão tentando se livrar do cinto e vai ate ela, a solta e indica a janela para ir para fora. Ajuda alguns poucos passageiros que ainda tem salvação e ouve os gritos agonizantes dos outros, para alguns já não ha salvação. A velha esperança acaba de morrer novamente. Agora já fora de perigo deitado na grama a espera do socorro, com a chuva lavando seu rosto, alma e machucados. Ele se lembra do ser místico. 
- Alguns nasceram para serem Fodidos mesmo.
- O que (pergunta o bombeiro).
- Onde eu estou?
- Está indo para o hospital.
- E o ônibus?
- Calma você desmaiou.
- Não e o ônibus?
- Calma, senhor, calma. 
- Eu preciso ajudar. 
Olhando para cima ele reconhece aquela cabeça de boi. 
- Calma jovem falta pouco agora.
- Você novamente aqui.
- Calma. 
- Enfermeira ele está delirando (novamente o bombeiro).
Ele acorda no hospital sem entender o que de fato aconteceu. Algumas flores velhas decoram a cabeceira da cama, o calendário na TV mostra 3 meses de diferença entre o acidente e o dia atual. Sua mãe esta com uma cara cansada, assistindo o jornal.
- Mae?
- Meu deus você acordou (em prantos).
- O que aconteceu?
- Filho meu, você voltou.
- O que aconteceu.
- Você estava morto, é um milagre. 
- O que aconteceu? 
- Explicaremos depois. O importante é que você esta aqui. 
As horas mais difíceis se iniciam agora, disse o médico, muitas coisas aconteceram, faros relevantes para seu futuro. Não há nada que possamos fazer neste momento a não ser esperar e decidir as coisas com calma. Durma relaxe amanha tudo será explicado. 
- Boa noite jovem.
- Você.
- Eu.
- O que aconteceu?
- O de sempre a falta de esperança. O mundo perdido. A vida jogada fora. 
- Como assim? 
- Dorme, amanha você entendera. 
- Não. 
- Sim. 
Esquece tudo e dorme. Como mágica, apaga e tem bons sonhos. Sonhos que jamais tivera, jardins, castelos, céus lindos. Águas calmas. A manhã o desperta como uma pluma, leve, quente, silenciosamente mortal. 
- Bom dia jovem. 
- Você.
- Eu seu médico.
- Me desculpe estava sonhando. 
- Não tem problema, vamos as verdades, calmamente. 
- Calmamente nada, cuspa tudo de uma vez.
- Guerreiro, então tudo bem. Você sofreu um acidente bateu a cabeça. Era impossível você sobreviver, ai esta você. Firme, forte, vivo. 
- E o que mais? 
- Nada.
- Sem sequelas nem nada?
- Pelo que vejo não! Desanca. Tua mãe já volta  com as boas novas.

Sua mãe ainda não consegue falar, extremamente emocionada pelo volta surpreendente do nosso herói. Aos poucos ele vai encaixando as respostas com o que o ser místico descreveu. Todas as decisões mortas, não tomadas nas horas certas. Todos os truques perdidos, toda vida jogada fora. A falta da verdade como vitória. Talvez um novo recomeço. Talvez uma nova vida diferente de tudo. 
- Filho.
- Oi mãe. 
- Você é um milagre.
- Nunca.
- Sim.
- O que se passou neste tempo?
- O que importa eh você aqui conosco.
- Desembucha mãe.
- E ficamos muito preocupados, eu e seus irmãos. 
- Ao menos isso (ri). 
- Não brinque com isso eh coisa seria. 
- Mas passou, estou bem. 
- Depois de três meses. 
- Mas estou aqui. 
- Ela te deixou. Logo na primeira a semana. Disse que não aguentaria vê-lo assim. 
- Fez bem. E a vó?
- Ela esta bem, não quer saber o resto?
- Hoje não mãe. As coisas boas merecem mais destaque (sorri).
- Está bem, seu celular está aí do lado. Se quiser saber algumas coisa ou ouvir uma música. 
- Obrigado. 
Agora mais do que nunca entendeu as esperanças mórbidas. Como pode alguém morto sobreviver. E se o místico estava certo, era só consequência das próprias escolhas. Talvez de ter entrado no ônibus, de não ter colocado o cinto. Talvez ter colocado a culpa dos seus erros nos outros, quem sabe ter esperado demais de quem não vem. Quem sabe fosse erros velhos em almas jovens e ainda não sabia. Algumas repostas de morariam para serem entendidas.  Mas de algo ele já sabia. Agora era apenas questão de tempo.
O celular toca.
- Oi, tudo bem? Eu sou a guria que você ajudou no ônibus. Soube hoje que você acordou, posso ir lhe visitar no hospital?
Ele sorri, fecha os olhos respira, abre para responder. Olha para o lado e vê a cabeça de boi ali, desta vez ela nada diz.
Ainda ha esperança.

  - Anthony

“O amor que nasce de um beijo, em uma sexta feira, não pode durar. É erro novo em céu vermelho. É desnecessário lembrar-se desta vida.
Como quem abre as pernas em uma manhã de sábado. A vida me abre cortes profundos. E é ai onde eu me encontro, em um novo corte. Na garganta seca engolindo sonhos.
Eu apenas espero sorrir de novo ao novo. São de momentos assim que vamos construindo nossa jornada. Plena, decadente e simbólica.
Renascimento após o final de semana. O amor não acontece nas sextas-feiras.”
Anthony
“Senta ao meu lado,
Me conta ate “onde” vai teus sonhos.
Explica o que te faz feliz.
Conta animada o seu dia.
Depois deita no meu colo e dorme.”
Versos inacabados.